quinta-feira, 17 de março de 2011

:: ARTIGO :: O fluxo de trabalho editorial

O artigo de hoje foi pensando nos estudantes e recém-formados que pretendem ingressar no mercado editorial e não sabem como funciona um fluxo de trabalho na prática.

O fluxo de trabalho para a criação de um livro, por exemplo, começa com o texto do autor. Esse texto passa por uma leitura do editor e, se aprovado, segue para a preparação.

Editor, do latim, editóris, significa "o que produz", é aquele que tem como função preparar, organizar e revisar o texto original que será publicado. No mercado editorial, a lista de funções do editor é imensa e, sendo assim, é o principal responsável pelo conteúdo a ser publicado. Em outras palavras, está no topo da "cadeia alimentar" da equipe editorial.

Assim que o autor envia sua obra para o editor e o mesmo aprova, dá-se início à preparação do texto.

A preparação do texto pode ser feita pelo editor ou por um revisor. A revisão do texto é a interferência necessária que visa melhorias na ortografia e gramática, na imposição de frases, cortes e inserções de texto e alteração de termos. São feitas várias revisões no texto antes de publicá-lo, sendo que, também caberá ao autor revisá-lo ao menos uma vez ao longo do processo.

A revisão utiliza certos termos, chamados marcas de revisão, que são compreendidos por todos da equipe, as marcas de revisão são simples e minimizam a "sujeira" na prova revisada.

Vejamos alguns códigos mais utilizados pela revisão no mercado editorial.

Imagem retirada do site http://cadeorevisor.files.wordpress.com

Texto preparado e revisado, é hora da diagramação.
É na diagramação do texto que são aplicados o formato, a tipografia, os espaçamentos, margens, paginação, ou seja, o projeto gráfico.

É o diagramador quem cria o projeto gráfico, mas é o editor quem o aprova. Dependendo do conteúdo do livro ou da editora, o projeto gráfico pode ser feito e refeito algumas vezes até que o editor, com sua experiência de mercado, aprove um modelo cuja aparência seja atraente ao público alvo.

Projeto gráfico aprovado, texto preparado, é hora de diagramar!
O InDesign, filho do pagemaker e parente distante do Ventura, é o principal software de editoração da atualidade. Posso dizer com certa experiência que, às vezes, encontro alguns arquivos diagramados no Quark e, este software, também não deve ser desconsiderado (mesmo com algumas limitações).

Assim que o livro é diagramado, é feita uma nova revisão, agora com a preocupação de verificar, além da gramática, se a diagramação seguiu o projeto gráfico aprovado pelo autor e editor.

Essa fase pode levar certo tempo se não existir uma sincronia na equipe do projeto. Livros mais extensos ou mais técnicos podem levar meses a serem fechados para gráfica.

Assim que o editor, revisor, autor e diagramador concluem que o livro não possui nenhum erro (o que às vezes parece ser impossível), o arquivo é fechado em PDF e enviado à gráfica.

Há também o capista, não menos importante, já que, como muitos acreditam, a capa vende o livro.

O capista, normalmente é um designer gráfico e que não precisa, necessariamente, saber desenhar, mas tem grande conhecimento em dispor os elementos gráficos na capa afim de torná-la mais atraente e chamativa. O briefing para o capista, pode partir de um breve resumo do livro, ou baseado numa linha gráfica já adotada pela editora.

Esse é um exemplo de fluxo editorial, resumindo em pouquíssimas palavras, pois poderia escrever durante horas e detalhar cada etapa de criação de um livro.

2 Opiniões:

ceci amorim disse...

Marcia, ahhh se esse fluxo fosse cumprido! hahahahaha... #martirio nosso de cada dia! rs...

ótimo texto, bjs!
Ceci

Gilmar S.C disse...

Gostei, também, e bastante, de ler mais este artigo seu!

Me considero "ainda" dublê iniciante de diagramador!
Desses que se atiram sobre as coisas com a cara e a coragem!

Como acredito em "milagres" (rs), ao ser convidado a preparar dois livros de amigos meus, aceitei-os mais como desafios.

Eu não tinha a menor ideia da dificuldade que é diagramar um livro!

Mãe de Deus, como sofri!
Quis desistir várias vezes.....rs!

Dizia pra mim mesmo: "Isso mão é para qualquer um, não!"
Não é só ligar o PC, abrir o programa e preparar o bicho!
É muito, mas muito mais complicado do que parece ser à primeira vista.

Mas persisti e fui até o final!

Foi uma luta com as autoras (3), pois o acordo que elas fizeram com a Gráfica, foi de entregarem o PDF prontinho para entrar em produção. - nem mais, nem menos! (Imagina!)

O primeiro livro eu preparei com o Pagemaker 5.0 ou 4.0, nem me lembro ao certo! - em um ano ficou pronto e agradou o autor; mas não muitio!

Usando o InDesign CS3, após seis meses o segundo livro saiu e, milagre de Deus, agradou a todos.
Ufa!!!.....quase não acreditei quando o vi pronto...rs!

Ao ler teu artigo, e saber que você pode tem mais um monte para dizer sobre o assunto, fico a pensar o quanto "ainda" preciso aprender e compreender sobre tudo o que dissestes aqui!

Não me desanimo àtoa, mas putz grila viu, senti que devo levar a coisa mais a sério!

Sempre que posso leio tuas postagens!

Obrigado e parabéns pela postagem!